A Insider, marca brasileira de roupas tecnológicas, encontrou um caminho para competir com marcas centenárias, como a Hering, e campeãs em vendas, como a Reserva: usar as redes sociais para engajar seu público e fortalecer a imagem sustentável como diferencial competitivo. E tem dado resultado. Criada há sete anos, o CEO e cofundador Yuri Gricheno da Insider conta que a empresa tem dobrado de tamanho a cada ano e alcançou um faturamento de R$ 400 milhões em 2024. Com planos de seguir o ritmo de crescimento na casa dos dois dígitos, a empresa se tornou popular entre streamers, influenciadores digitais e produtores de conteúdo em plataformas como TikTok, Instagram, YouTube e Kwai.

Nessas plataformas, a Insider reforça aos consumidores o discurso sobre a importância que a durabilidade de uma peça de roupa seja alta e, assim, garante dois objetivos: explicar o motivo de o preço de seu produto ser mais caro do que o esperado em lojas têxteis populares e o papel sustentável da marca. “Sobre o custo dos nossos produtos, a comunicação educa os consumidores sobre a longevidade das peças, reforçando o valor percebido em relação ao custo”, disse o executivo. De acordo com ele, as chamadas “roupas tecnológicas” da Insider são concebidas a partir de tecidos que combinam ciência têxtil e inovação, com o objetivo de solucionar desafios comuns, como controle de suor, odor e a necessidade de passar as roupas. Um exemplo, afirma Gricheno, é a Tech T-shirt, que oferece propriedades como termorregulação, ação antibacteriana e alta durabilidade, “mantendo suas características mesmo após várias lavagens, e custa em média R$ 152.”
A ideia de trazer ao mercado têxtil uma solução sustentável e durável surgiu pela falta de opções para esse tipo de produto, algo que o próprio cofundador sentia. “Não havia venda de camisetas capazes de oferecer soluções práticas para problemas cotidianos, como suor excessivo e odor.” De acordo com ele, o caminho foi longo. Ele precisou avaliar soluções e tecnologias desenvolvidas em mercados mais maduros para esse tipo de solução, como os Estados Unidos, e trazer o conceito para o Brasil.
Gricheno, inclusive, que estudou e jogou tênis profissionalmente nas terras do Tio Sam, decidiu, ao lado de sua esposa, Carol Matsuse, entrar no empreendedorismo em 2017. Para o nascimento da marca, foram necessários R$ 100 mil, resultado das economias do casal. A empresa seguiu o modelo bootstrap, reinvestindo todo o faturamento no crescimento da operação. O primeiro produto lançado foi uma undershirt com tecnologia de controle de suor e odor. O ponto de inflexão para a Insider aconteceu em 2020, quando a marca ganhou visibilidade com o lançamento de máscaras antivirais durante a pandemia. A alta procura fez o estoque do produto esgotar em apenas três horas.
Com a oportunidade trazida pelas máscaras, a Insider começou a se expor mais ao público, em especial ao digital. A decisão sobre quais tecnologias e materiais integrar ao portfólio da empresa é guiada por uma análise que inclui pesquisa de mercado, tendências globais e feedback dos consumidores. Segundo ele, cada inovação passa por rigorosos testes para assegurar que agregue valor ao cliente em termos de desempenho, sustentabilidade e custo-benefício.
Atualmente, a Insider tem mais de 900 mil clientes em mais de 50 países. Os mercados prioritários incluem América do Norte e Europa, regiões onde a demanda por produtos inovadores e sustentáveis é mais expressiva, segundo o CEO. “No Brasil, os clientes valorizam custo-benefício e conforto, enquanto, no exterior, aspectos como inovação e sustentabilidade têm maior peso nas decisões de compra”, disse Gricheno. A empresa planeja expandir ainda mais sua presença internacional, mantendo o formato de e-commerce, com foco na diversificação do portfólio e no investimento em novas tecnologias. Hoje, seu portfólio conta com tecnologias como anti-odor, anti-viral, proteção UV, anti-desbotamento, elasticidade em 4 sentidos, à prova d’água, entre outras.
PRESENÇA VIRTUAL – E é na internet que a Insider tem feito seu negócio acontecer. Em termos de tráfego online, dados da SimilarWeb indicam que, em outubro, na análise mundial, o site da Insider recebeu 2,135 milhões de visitantes, enquanto a Hering, uma empresa com mais de 140 anos de história, registrou 2,850 milhões de acessos. Já a Reserva, outra marca consolidada no mercado, alcançou 2,038 milhões de visitas no mesmo período. A proximidade no volume de visitantes entre uma marca jovem e empresas tradicionais evidencia uma transformação no comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais atentos a propostas inovadoras e sustentáveis.
A sustentabilidade, inclusive, segue como alvo da empresa, que anunciou recentemente que toda a linha INTECH é oficialmente carbono negativa. Desde 2022, a empresa diz que compensa em dobro as emissões de carbono geradas pela produção das peças Tech T-Shirt e High Neck. Isso foi alcançado por meio de investimento em projetos de compensação, uso de fibras modais sustentáveis e redesign da cadeia produtiva, reduzindo emissões em 77% em relação ao algodão convencional. A marca destinou mais de R$ 50 mil à compensação de carbono entre 2022 e 2023. As ações da marca resultaram em benefícios ambientais, equivalentes a compensar a produção de carbono de 11 milhões de quilômetros percorridos de carro e 24 mil viagens entre São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o CEO e cofundador Yuri Gricheno, “essa conquista reflete nosso compromisso com qualidade, inovação e sustentabilidade, valores que permeiam toda a nossa operação.”
Em parceria com a Greener Tokens, a Insider também apoia o projeto de preservação da floresta amazônica, nomeado Fazenda Floresta Amazônica, que tem como objetivo contribuir para a Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa derivados do desmatamento, degradação florestal e garimpo ilegal, mitigando os efeitos das mudanças climáticas. Além de preservar a biodiversidade local de mais de 60 espécies de fauna e flora.
Por DC News